quarta-feira, 22 de março de 2017

Concepção de Verdade?


A concepção de verdade mostra-se contemplativa e não palpável, ao longo da história o homem tenta definir a coisa mais certa e mais incerta que possa existir, a verdade. Por um lado, a certeza inconsciente de que a verdade é defina por atitudes externas a vontade humana, por outro se mostra misteriosa e incapaz de se externar pela razão humana. Nesta linha duvidosa e imprecisa, o caminho será traçado para que se chegue a verdade.
Em, Convite à Filosofia, Ed. Ática, São Paulo, 2000, a autora Marilena Chaui, faz um leve circuito entre as concepções latina, hebraica e grega perpassada no tempo. A linha latina trata a verdade pelo pressuposto da etimologia de sua palavra, “veritas”, mais profundamente relacionado a veracidade daquilo que fora narrado fidedignamente, então pode-se concluir que verdade está relacionado a linguagem. Mas sabe-se que no próprio conceito de  linguagem, existem duas linhas distintas sobre sua concepção de verdade, é verossímil a ideia de essencialíssimo, que diz que linguagem é objeto que diz da coisa em si e dele faz parte pela fenomenologia da coisa, mas por outro lado existem os convencionalistas que determinam a linguagem como algo meramente convencional e que não diz da coisa em si, mas que por concordata se diz do que aparenta ser. Sendo estes conceitos uma dualidade para conceber a ideia da verdade propriamente dita. Portanto dar-se a ideia de que a verdade esta no passado.
A autora ainda define por uma vertente etimológica grega, aletheia, que surge da definição entre o radical “a” (negação; não) e do sufixo “lethe” (esquecimento). Como define Platão, em A Republica, o não esquecimento, portanto o desvelamento do que esta escondido, ou seja, aquilo que é posto em evidencia, dando ao escurecido a ideia de “Pseudus”, em outras palavras, falso ou dissimulado, esvaziando a verdade da falseabilidade e da insegurança. Por essa vertente surge a duvida, será que somente na evidencia clara está a verdade? Será que tudo que não tenho acesso não possui conteúdo verdadeiro, é somente e exclusivamente falso? Portanto dar-se a ideia de que a verdade esta no presente.
Por fim nas definições etimológicas da verdade, Chaui, traz a definição hebraica que se diz “emunah” e significa confiança. Carrega consigo desta forma a ideia de que a verdade esta no cumprimento dogmático de uma promessa assegurada. Por exemplo, Deus e homem, são a verdade quando garantem e cumprem suas garantias, ou seja, a confiança como método de indução a verdade, um Deus verdadeiro ou um amigo verdadeiro são aqueles que cumprem o que prometem, são fiéis à palavra dada ou a um pacto feito. Portanto dar-se a ideia de que a verdade esta no futuro, por ser algo assegurado e cumprido num tempo que ultrapassa a ideia de atual, você promete para cumprir depois, senão não haveria promessa e sim uma ação real e atual, presente.
“Aletheia (grego) se refere ao que as coisas são; Veritas (latim) se refere aos fatos que foram; Emunah (hebraico) se refere às ações e as coisas que serão”, mas então a concepção de verdade continua duvidosa ou ela é uma percepção temporal dos fatos? Wittgenstein, diz que “o mundo é a totalidade dos fatos”, sendo a totalidade dos fatos, os fatos são assim verdade propriamente dita, mas não será a certeza destes fatos a verdade, mas a duvida.

A verdade seria dialética? Partida de uma tese, uma antítese ate se chegar a uma conclusão? Mas deste pressuposto dialético a conclusão seria uma nova tese e por assim nasceria uma nova antítese, propalando um aspecto de infinito em sua concepção. A verdade ficaria por assim dizer, como método temporal como define a autora, como: passado, presente e futuro, mas a definição propriamente dita não existiria neste ambiente. Fica-se portanto com a definição do Jesus Cristo quando Pilatos pergunta: “O que é pois a verdade?”, e Ele em sua imensa verdade e sabedoria, Silencia. A verdade é pois aquilo que carregamos por certo no mar infinito do saber.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Brava gente brasileira! Longe vá... temor servil!



O distanciamento às desgraças parece amenizar a dor do outro, acreditar que o Brasil é um país belo e banhado pela alegria de seu povo, é humanizar a outrora Ilha de Vera Cruz. Meninos de rua, são portanto, cartões postais de um país rico e alegre que acredita e piamente prega a felicidade em meio as desgraças mínimas. Fome e pobreza não são dores sociais, são combustíveis para a felicidade estatal, viva o Brasil minha gente, viva a brava gente brasileira, viva a gente brasileira MAIS BRAVA QUE NUNCA.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Voltando a ser criança.

Talvez hoje, devêssemos voltar a ser crianças. Brincar, correr, gritar sem dor, brigar para poder pedir perdão, rir de besteiras, fazer besteiras, fazer perguntas sem sentido. Mas voltar a ser criança quer dizer muito mais do que isso, quer dizer voltarmos para aprender de novo aquilo que o tempo vai nos tirando como por exemplo os valores do perdão, da amizade, do amor, da alegria, do desejo de descobrir...  Aprender de fato que ler é bom, que salada é ruim mais faz bem, que estudar é chato mas é importante, que é errado responder os mais velhos, que bons modos vão além do bom dia, que mãe e pai é fundamental assim como todo o resto família. Ave! Agora deu vontade de voltar ao passado e responder que o certo é “poco” e não “copo”. Deu vontade de aprender a andar de bicicleta, aprender a ler e escrever, aprender que eu nem sempre estou certo. E o pior e mais difícil de aprender foi o que eu aprendi mais rápido: que o tempo não para.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Ensina-me a amar


Estávamos celebrando a missa, e, como sempre, mirava o meu olhar para o Crucificado e ficava pedindo no meu intimo do coração: Jesus ensina-me a amar. Mas a minha ignorância era tão grande, que não conseguia compreender nem mesmo as palavras que saiam do fundo de minha alma. Uma venda recobria o meu olhar, uma cegueira que impedia a compreensão daquilo, já estava me deixando desmotivado e cansado de perguntar e pedir. Meu lado fraco começava a brotar mais uma vez, e aquilo mim martirizava muito, pois, sentia-me impotente diante de tal mistério.
Foi quando a liturgia motivou-me a refletir, quando dizia: “Deus amou tanto o mundo, que deu seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16).
Que ato magnifico de amor. O Deus criador e todo poderoso, desce de seu esplendor e faz-se homem como nós, simplesmente por amor. Dar-se numa cruz como reparação dos pecados da humanidade, quanta perfeição e ali consegui compreender a minha pergunta. Deus ensinou-me a amar, amando.
Obrigado Senhor, por mais uma vez tocar em meu coração e ensinar-me o que de fato foi e é a representação de vosso amor, e isso basta.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que é a felicidade?


Hoje assistindo o programa Globo Repórter, esse questionamento veio a me incomodar, mas como pessoas que vivem com quase nada se dizem felizes?
Mas afinal, o que é a felicidade?
O Butão, um pequeno e fechado reino nos Himalaias, vive apenas com pequenas coisas, com muito trabalho, com muito sacrifício, vivem em casas pequenas e desconfortáveis, sem energia elétrica, sem água encanada, sem muitos moveis, sem eletrodomésticos, sem transportes, sem informação, enfim, em condições medievais, inclusive o próprio rei butanês Jigme Khesar Namgyal Wangchuck, vive em uma casinha simples nas altas colinas, contudo, possuem uma “coisinha” que muitas vezes, nós, rodeados de facilidades, confortos, casarões, carros, internet, energia elétrica, água encanada, televisão, cinema, parque, ou seja, com muita coisa boa, que provavelmente você como eu, diria que seria impossível se viver sem esses artifícios para ser feliz.
O que seria essa coisinha? Mas a final, o que é a felicidade?
Felicidade para o povo Butanês é viver bem, em harmonia com Deus, desprendido de todos os bens materiais, existe inclusive um departamento da felicidade no país, que trata justamente de possibilidades para um melhor estado de vida para do seu povo, inacreditável “né”?
Pois bem e para nós o que é felicidade?
Com certeza você iria dizer, ser rico, ter um carrão, uma mansão, viver em farras, ter muito entretenimento, conforto, um bom salário todo mês, não é verdade?
Agora, se isso é felicidade para nós, o que é a felicidade para o Butão? E, se lá existe felicidade para eles, o que é a felicidade para nós realmente?
O que é a felicidade?
Poxa! Agora nem eu saberei responder, a final vivemos em uma sociedade que a matéria é o fundamental e o essencial para a felicidade.  Em uma sociedade cruel e que descrimina a todos pelo que se tem e pelo que se veste, bem diferente da sociedade butanesa, que diz: eu sou feliz, porque, trabalho, canto, rezo, tenho apenas o mínimo e sei que meu próximo é feliz como eu, e isso é ser feliz, para eles. Talvez essa seja a coisinha que falta na nossa felicidade, ver a alegria no outro.
Quantas vezes passamos por ruas e avenidas e vemos a pobreza e a fome gritando por socorro, e nós passamos e baixamos a cabeça e muitas vezes até dizemos: Vagabundo vai trabalhar! Absurdo, levando em consideração a boa convivência entre o povo butanês que se ajudam e vivem felizes.
Um amigo meu, Alex, disse uma coisa que achei interessante, “as coisas penas são para serem cuidadas e não para serem colocadas em primeiro plano, o ser humano é o mais importante.”
Acredito firmemente que minha felicidade só será completa quando todos forem felizes, a final, felicidade para mim não é apenas está bem, é ser bom, para que todos estejam bem e tornar-se-ão assim bons. Pensemos nisso quando dissermos, eu sou feliz. Será mesmo? Amemos as pessoas e cuidemos das coisas, a felicidade está na alegria do outro, a final nesse contexto sempre seremos o outro também.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Uma formiga só, não constrói um formigueiro.


Eu era o responsável pelo jardim do seminário propedêutico Dom José Cornélis, em Alagoinhas – BA, era minha casinha de sapê dentro da casa de formação, meu refugio nas decepções, saudades e aflições.
Numa certa manhã, minha mãe me ligou e de forma bem direta, do jeito que prefiro e gosto, falou que minha avó Mininha, sua mãe, estava nas ultimas, um “baque enorme para mim”, fui a capela fiz uma oração por ela e por minha família e depois  como de costume, fui ao jardim distrair um pouco, e foi quando encontrei um “trilho de formigas” e achei interessante como elas poderiam e conseguiam andar uma atrás da outra sem separar-se e sem se perder.
Quanta perfeição, não é?
Fui então tentar descobrir o porquê.
Pesquisei muito e cheguei a uma conclusão, no caminho das formigas, existe uma substancia chamada feromônio, que as mantinham unidas uma atrás da outra, o cheiro que uma exala é sentido pelas outras, e assim todas continuavam caminhando e transmitindo o seu bom odor, levando-as para o caminho certo do formigueiro.
Agora fico imaginando se esse feromônio fosse substituído pelo amor, e essas formigas por nós pessoas, logo, seriamos uma só família social, que trabalha por único propósito e sem discriminação, da qual o amor seria o sinal a ser seguido, um sinal que nos levaria ao grande formigueiro, melhor dizendo, a salvação.
É interessante como um simples ato de amar pode arrastar centenas e até milhares de pessoas, já dizia Santo Antonio: "palavras comovem e gestos arrastam”. Uma andorinha só não faz verão, e uma formiga só, não constrói um formigueiro.
O amor mais uma vez nos surpreendendo com a sua capacidade de nos levar a seguir um único caminho, o da salvação.
Pois bem, transmitamos esse feromônio em nossa vida, não esperemos senti-lo primeiro para poder seguir, sigamos e arrastemos com nossas ações.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Escrever?



Escrever é...
Simplesmente colocar no lápis aquilo que em nós a de profundo, sensível e crítico. 
Simplesmente colocar no papel aquilo de mais escondido, escurecido e inconsciente.
Simplesmente descobrir o improvável e até o obvio.
Simplesmente encontrar o descoberto
Simplesmente revelar o que está sob a luz.
Simplesmente dizer ao tempo que o presente existe.
Escrever é simplesmente escrever, só.
O resto? O verbo já se traduz por si mesmo.  

Se amar é fácil?

Hoje pela manhã estava lembrando do meu primeiro ano de seminarista e por todas as situações que eu havia passado durante o mesmo, lembrava com muita nitidez de uma das celebrações da palavra que fui designado a celebrar. Fomos eu e outro seminarista de nossa diocese, Heleno, para uma comunidade chamada Maçaranduba, próxima da minha cidade natal, Rio Real-BA.
Quando chegamos logo percebi a presença de muitas crianças e imaginei que iria ser uma celebração bastante “perturbada”, mas muito pelo contrario, mais uma vez aprendi com elas.
Como essas crianças nos ensinam!
Era o dia da celebração do dizimista e na hora do ofertório eu fiquei observando semblantes de tristeza de algumas pessoas que estavam na fila, e foi justamente quando uma criança surgiu na fila das ofertas, mesmo “banguelo”, abriu seu sorriso de um canto a outro e depositou sua oferta, para ela, o que estava sendo depositado ali no altar, poderia ser meramente uma “moedinha”, mas o que a deixava feliz era, com certeza, a alegria de ser útil, de está presente e até mesmo com a pouca catequese que ela tinha de se considerar participante da igreja e filho de Deus.
Quantas vezes nós que nos consideramos “doutores na fé” esquecemos o valor da alegria no serviço, fazemos de nosso serviço um pesar em nossa vida, um fardo pesado que carregamos, mas, esquecemos do exemplo do próprio Jesus, que torna-se servo e lava os pés de seus discípulos e nos pedi para amarmos uns aos outros como a si mesmo.
Não consigo compreender tanta falta de amor, já dizia um filosofo se conhecêssemos o bem não iríamos procurar mais nada.
Estava imaginando quanto falamos de amor e o quanto praticamos o amor, nossa fé revestida apenas de palavras é uma fé muito fraca e sem sentido, mas nossa fé revestida de amor e gestos concretos é com certeza, a fé da qual Cristo nos falava. Uma fé que Ele mesmo praticou.
Talvez tenha sido por isso que Jesus tenha dito: “Deixai vir a Mim todas as criancinhas.”
Pensemos nisso, chegar ao céu é fácil, só é preciso ter fé e amar.
Se amar é fácil? Quem disse? Mas é apenas o pedido de Cristo para nós, chegar ao céu é fácil, amar até a cruz que o mais complicado. 

sábado, 12 de março de 2011

Jesus é amigo dos pecadores


Através do seu evangelho, Jesus vem nos ensinar o seu papel como redentor do mundo. Vem nos mostrar que Ele não veio pra jugar ou condenar o mundo, mais sim para perdoar e transformar toda a face da terra.
Ao sentar com os cobradores de impostos Jesus vem nos mostrar o valor da humildade, humildade que é precisa na conversão. Podemos observar que apesar de Levi ser um cobrador de impostos, ou melhor, um opressor do povo ele deixa seus afazeres para seguir a Jesus. Outro enorme passo para conversão é se entregar à obediência nos pedidos do Senhor, como Maria se entregou a Deus, nós precisamos nos entregar e dizer o nosso sim a Ele: “Faça-se em mim segundo a vossa palavra”(Lucas: 1,38.). Observemos que foi através da desobediência que o homem foi expulso do paraíso, por isso a obediência é um fator crucial na conversão.
Depois que passarmos por esses passos, um outro passo muito importante é fazer como aquela mulher que vendo Jesus comendo com um fariseu veio até ele e de coração arrependido pedir perdão, banhando seus pés com suas lagrimas e os enxugando com seus cabelos (Lucas: 7,38). Este gesto de humilhação prova a Jesus que a fé daquela pecadora era grande, por isso Ele a perdoou. Através da fé daquela mulher podemos observar aonde Jesus queria chegar, quando dizia a todos que curava, tua fé te salvou ou tua fé te curou. Jesus queria mostrar que era através da fé que se pode alcançar a salvação. Só que para ter fé é preciso outra coisa muito importante, é preciso confiar em Deus e não na riqueza.
Jesus nos ensina que é preciso perseverança na oração que é preciso fazer calos nos joelhos para nossos pedidos serem atendidos, que é preciso ter coragem, pois nós fomos enviados em meio a lobos e nós como cordeiros, temos que nos entregar ao martírio da vida cotidiana, pregando e praticando as bem-aventuranças.
Pois na pregação que Jesus fez no monte em Cafarnaum nos mostrar um programa de vida espiritual que nos leva ao encontro do seu amor:
1.ª) Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.
2.ª) Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
3.ª) Bem-aventurados aqueles que são mansos, porque herdarão a Terra.
4.ª) bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
5.ª) Bem-aventurados aqueles que são misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
6.ª) Bem-aventurados aqueles que têm puro o coração, porque verão a Deus.
7.ª) bem-aventurados os que sofrem perseguição pela justiça, porque o reino dos céus é para eles.
8.ª) Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós. (Mateus: 5,1-12).

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